A vacina de dose única contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan começará a ser aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 17 de janeiro, inicialmente nos municípios de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais. No dia seguinte, 18 de janeiro, Botucatu, no interior de São Paulo, também iniciará a campanha de imunização.
Os três municípios foram escolhidos pelo Ministério da Saúde para avaliar o impacto da nova vacina em uma estratégia denominada “imunização acelerada”. Segundo a pasta, o público-alvo inicial será a população de 15 a 59 anos residente nessas cidades.
A aplicação fará parte de um teste com uma parcela do lote de 1,3 milhão de doses já entregue pelo Instituto Butantan. Na etapa seguinte, a vacinação será estendida aos profissionais da atenção primária que atuam na linha de frente do SUS, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde. A estimativa do ministério é que esses profissionais comecem a ser imunizados a partir do fim de janeiro.
A ampliação da vacinação para todo o país ainda depende do aumento da oferta de doses. De acordo com o Ministério da Saúde, a produção será expandida por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines. A estratégia prevê a ampliação gradual da imunização, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos, conforme a disponibilidade de vacinas.
Produzida em parceria entre o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Biologics, a Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue em dose única no mundo. O imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de novembro e pode ser aplicado em pessoas de 12 a 59 anos.
Os estudos indicaram eficácia geral de 74,7%, com 91,6% de proteção contra casos graves e com sinais de alarme, além de 100% de eficácia contra hospitalizações. As pesquisas também apontaram que a proteção conferida pela vacina dura cinco anos. O imunizante é composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue e se mostrou seguro tanto em pessoas que já tiveram a doença quanto naquelas sem infecção prévia.
O Instituto Butantan prevê ofertar 30 milhões de doses anuais a partir do segundo semestre de 2026, com possibilidade de ampliação conforme a demanda e a capacidade produtiva.
Atualmente, a vacina contra a dengue disponível no SUS é a Qdenga, da farmacêutica Takeda, aplicada em duas doses. A recomendação do Ministério da Saúde, por enquanto, é vacinar apenas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações pela doença.
Em 2024, o Brasil registrou 6,6 milhões de casos e 6.297 mortes por dengue, segundo o Ministério da Saúde, superando o total de óbitos acumulados nos oito anos anteriores. Em 2025, o país contabilizou 1.776 mortes pela doença, além de 207 casos ainda em investigação.


