Nos últimos meses, uma questão tem ganhado força nos bastidores políticos e nas conversas da população de Belém: quem, de fato, está à frente das decisões e da condução administrativa do município? A prefeita constitucional, Dona Aline, ou a vice-prefeita, Dianna Marcela?
A dúvida não surge por acaso. Basta uma observação nas páginas oficiais da Prefeitura para perceber a presença constante da vice-prefeita em inaugurações, comunicados institucionais e mensagens direcionadas à população. Em contrapartida, a imagem da prefeita Dona Aline tem aparecido de forma discreta, muitas vezes em segundo plano, o que tem provocado estranhamento e questionamentos entre moradores e lideranças locais.
Para muitos belenenses, essa exposição recorrente da vice-prefeita acaba transmitindo a sensação de que o protagonismo da gestão não está com quem foi eleita para comandar o Executivo municipal. A pergunta que ecoa nas ruas é direta: por que a prefeita aparece menos do que sua vice nas ações oficiais da Prefeitura?
O debate ganha ainda mais contornos políticos quando se observa o contexto familiar envolvido. A vice-prefeita Dianna Marcela é sobrinha da prefeita Dona Aline e filha de Tarcísio Marcelo, irmão da gestora municipal. Segundo informações que chegaram à nossa reportagem, nos bastidores há a avaliação de que decisões estratégicas e direcionamentos importantes da administração estariam sendo fortemente influenciados por Tarcísio, por meio da atuação política da filha dentro da gestão.
Vale lembrar que Tarcísio Marcelo, ex-prefeito e ex-deputado estadual, teve suas gestões marcadas por diversas denúncias e questionamentos à época, fato que ainda é lembrado por parte da população e do meio político local. Essas lembranças reforçam a preocupação de setores da sociedade quanto à possibilidade de repetição de práticas do passado, agora de forma indireta, por meio de vínculos familiares dentro da atual administração.
Ainda conforme apurado, Tarcísio enxergaria em Dianna Marcela uma esperança de retomada de protagonismo político, projetando nela um futuro eleitoral que ele próprio não conseguiu consolidar. Na eleição municipal de 2016, quando disputou novamente o cargo de prefeito, Tarcísio obteve apenas 1.122 votos, o equivalente a 10,57% dos votos válidos, ficando na terceira colocação e longe da vitória.
Diante desse cenário, cresce na opinião pública a cobrança por mais clareza, equilíbrio institucional e transparência. Afinal, em uma gestão municipal, é fundamental que os papéis estejam bem definidos e que a população saiba, sem ambiguidades, quem governa, quem decide e quem responde oficialmente pelos rumos da cidade.
Enquanto essas dúvidas persistirem, o questionamento segue inevitável: Belém está sendo administrada pela prefeita eleita pelo voto popular ou por uma articulação política que atua nos bastidores do poder?


