Pesquisa Bloomberg/Atlasintel sobre o vídeo de desabafo de Michelle Bolsonaro divulgada nesta quinta-feira, 3, reforça o prestígio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) com o eleitorado do pai, mas indica que o atrito público com a madrasta deve prejudicá-lo no eleitorado independente.
A impressão de que o bolsonarismo abraçou Flávio na crise, embasada pela repercussão do caso nas redes sociais, é endossada pelos números da Atlasintel.
Entre os eleitores que assistiram ao vídeo de quase 30 minutos, 51,1% concordam com decisão de Michelle de divulgá-lo, contra 35,1% que discordam. Quando se considera apenas os eleitores de Jair Bolsonaro, as proporções se invertem: 65,6% discordam e apenas 26,5% concordam.
Independentes
No caso dos eleitores independentes, que costumam definir as eleições, a concordância com Michelle está acima da média do eleitorado, em 57%, e o número dispara para 77,9% quando se considera apenas os eleitores que votaram branco ou nulo no segundo turno presidencial em 2022, e vai a 76,8% entre aqueles que não votaram.
Além disso, 59,6% do eleitorado em geral disse acreditar na acusação de Michelle, de que Flávio foi “grosseiro” e “desrespeitoso” com ela, que se sentiu “humilhada” por ele. Mais uma vez, nesse caso, a maioria dos eleitores de Bolsonaro (54,6%) discorda, e apenas 29,9% acreditam em Michelle.
Entre o eleitorado independente, o percentual daqueles que acreditam em Michelle é mais intenso, vai a 62,1%, e sobe ainda mais, para 83,3%, entre quem votou branco ou nulo em 2022, e para 80,1% entre aqueles que não votaram.
Essa diferença de perspectiva se repete quando sos eleitores são questionados sobre com quem eles mais concordam. Entre o eleitorado geral, 38,3% estão com Michelle, 20,6% com Flávio e 21,4% se disseram concordar com ambos em parte.
No eleitorado de Bolsonaro, 43,2% estão com Flávio, apenas 17,3% com Michelle e 33,6% com ambos. No eleitorado independente, 41,2% tomaram o lado de Michelle, e apenas 10% o de Flávio.
Entre os que votaram nulo ou branco, a concordância com a ex-primeira-dama é de 65,8%, próxima dos 66,6% que não votaram e tomaram o lado dela.
Ceará
Entre os eleitores de Bolsonaro, 53,8% acham que Flávio está certo em relação ao apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) para o governo do Ceará, e 36,7% estão com Michelle.
Foi a aliança com Ciro que instalou a discórdia no bolsonarismo, após a ex-primeira-dama dar uma bronca pública nos aliados cearenses em novembro de 2025, sobre a qual Michelle só veio a se manifestar publicamente no vídeo publicado na semana passada.
Para além disso, a pesquisa Atlasintel constata, por meio das opiniões de 4.999 eleitores ouvidos de 26 a 30 de junho, que o apoio e a participação de Michelle para a candidatura presidencial de Flávio são importantes: 28,9% responderam “muito importantes” e 26,5% disseram “muito importantes”.
Apenas 16,3% responderam “pouco importantes” e 11,7%, “nada importantes”.
Também é majoritária a impressão de que o desentendimento público enfraquece a candidatura de Flávio: 37,8% acham que enfraquece muito e 26,3% acham que enfraquece “um pouco”.
Para 22,4%, não afeta; 7,1% acham que a confusão “fortalece muito” a campanha, e 2,1% acham que fortalece um pouco.
Motivos
A pesquisa também questionou sobre os motivos que levaram a ex-primeira-dama a publicar o vídeo, e 38,6% disseram que foi “um possível desejo de se candidatar à Presidência do lugar de Flávio”.
Para 28,5%, tratou-se de “apenas expor divergência políticas e pessoais”, e 22,3% disseram que Michelle queria “aumentar seu poder político dentro do PL”.
Homens e mulheres
Além de tudo isso, o recorte de gênero da pesquisa indica que há proporcionalmente mais homens do lado de Michelle nessa divergência do que mulheres: 59,6% deles concordam com a decisão dela de publicar o vídeo; entre as mulheres, o percentual de concordância é de 43,3%.
Outro dado: 66,3% deles acreditam nas acusações da madrasta contra o enteado, e o percentual cai para 53,3% entre as mulheres. Ainda é alto, mas em menor intensidade.
Rodolfo Borges/O Antagonista


