Na reta final da janela partidária, o MDB da Paraíba viu baixas importantes, mas reagiu com velocidade e articulação. A saída do deputado Anderson Monteiro, que deixou a legenda após quatro anos e oficializou filiação ao PV, somada à saída anterior de Dr. Romualdo para a federação formada por PT, PV e PCdoB, poderia sugerir enfraquecimento. Na prática, porém, o partido terminou o período reposicionado e com uma bancada de seis deputados estaduais na Assembleia Legislativa da Paraíba.
A movimentação de Anderson teve peso político próprio. Ao migrar para o PV, ele passou a integrar um campo partidário que, embora mantenha diálogo com forças próximas ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, está formalmente inserido em uma federação que compõe a base do governador Lucas Ribeiro. A mudança, portanto, não foi apenas partidária — teve reflexo direto no desenho das alianças e no rearranjo do bloco governista e de seus entornos.
Ainda assim, o MDB conseguiu virar o jogo no momento mais decisivo. A legenda passou a contar com Camila Toscanoe Tovar Correia Lima, ambos vindos do PSDB, além de Fábio Ramalho, que também ingressou na sigla. A esse grupo se somam ainda Hervázio Bezerra, Caio Roberto e Felipe Leitão, consolidando uma nova configuração partidária com mais capilaridade, densidade política e presença regional.
O saldo da janela, portanto, foi mais sofisticado do que a conta simples entre perdas e ganhos. O MDB perdeu dois nomes que ocupavam suas cadeiras atuais, mas terminou o processo com uma base parlamentar mais ampla e com discurso de crescimento. Não por acaso, o senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente estadual da legenda, afirmou que o partido “mudou de patamar” e projetou que a sigla pode chegar a oito cadeiras na próxima legislatura.
No fim das contas, a janela mostrou um MDB menos dependente de suas antigas peças e mais disposto a operar com musculatura ampliada na disputa proporcional. Em vez de sair diminuído pelas baixas, o partido fechou o ciclo com nova composição, mais volume político e a clara intenção de transformar a atual bancada de seis em uma presença ainda maior na próxima Assembleia.


