Àmedida que um novo conflito espoletou, no Médio Oriente, surgem questões sobre de que forma é que isso poderá afetar a vida dos europeus e do resto do mundo.
O conflito que põe frente a frente o Irão contra os Estados Unidos e Israel tem impacto nas lideranças mundiais e prova disso é o facto de vários países europeus já se terem posicionado acerca do conflito. Keir Starmer, primeiro ministro britânico, insistiu que Londres não vai juntar-se aos ataques; também a Espanha informou que não vai permitir que as suas bases militares, sejam usadas para ataques contra o Irão; enquanto a França disse estar entrar progressivamente numa nova fase do armamento nuclear, que qualificou de “dissuasão avançada”, face ao crescente perigo em que se vive atualmente. Contudo, estarão eles, ainda assim, imunes à guerra?
EUA dizem que conflito não é para durar. Mas Irão contraria
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, alegadamente, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
Apesar da posição dos lideres europeus, estará o velho continente seguro no que ao conflito diz respeito?
Segundo um investigador do Royal United Services, Sidharth Kaushal, Roma, Copenhaga, Budapeste e Atenas podem não estar imunes a serem atingidos.
Segundo o mesmo especialista, “sempre se especulou que um conflito destes seria o veículo de lançamento de uma ogiva nuclear, caso os iranianos tivessem desenvolvido uma”. E em referência a isso, usa como exemplo o míssil Khorramshahr 4 que foi, alegadamente, desenvolvido pelo Irão.
O míssil, apresentado em 2023, foi preparado para o lançamento num curto período, indicou na altura o ministro da Defesa, o general Mohammad Reza Ashtiani, explicando que “uma das características proeminentes deste míssil é sua capacidade de escapar da deteção do radar e penetrar nos sistemas de defesa aérea do inimigo, graças à sua baixa assinatura radar”.
Ao The Mirror, o especialista britânico refere que este míssil “em caso de ser lançado”, poderá “atingir grandes áreas da Europa, incluindo a Grécia, Itália, Alemanha, Polónia e Dinamarca”.
Segundo a mesma publicação, os ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel também aumentaram os receios de que o Irão possa usar células terroristas adormecidas para atacar alvos em toda a Europa. Uma célula adormecida normalmente infiltra-se num país e esconde-se à vista de todos até ser ativada para realizar ataques terroristas.
Recorde-se, nessa senda, que a própria Alemanha alertou para esta situação. Ontem, Marc Henrichmann, membro da comissão de inteligência do parlamento alemão, alertou que os ataques não se limitarão ao Médio Oriente e lembrou que o conflito não se limitará apenas à região.
“O regime iraniano demonstrou repetidamente no passado que levava a cabo o seu terrorismo para além das suas próprias fronteiras. Não se pode excluir a possibilidade de células adormecidas iranianas na Europa fazerem parte da estratégia de retaliação de Teerão. A vigilância é a ordem do dia”, instou.
Consequências do conflito
Pelo menos 787 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.
Em Israel, os ataques com mísseis iranianos já provocaram a morte a dez pessoas, segundo os dados oficiais.
No Líbano, o número total de mortos atingiu os 31 em consequência de ataques israelitas depois de terem sido disparados mísseis na segunda-feira pelo Hezbollah contra zonas no norte de Israel.


