A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos passa a valer nesta sexta-feira (5). Diante da entrada em vigor da medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump, o Palácio do Planalto trabalha para ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado e reduzir possíveis impactos econômicos sobre empresas brasileiras.
Nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a afirmar que telefonaria para Trump para tentar reverter a decisão por meio do diálogo. Agora, porém, integrantes da diplomacia brasileira avaliam que a classificação não deve ser retirada no curto prazo.
Segundo O Globo, Lula orientou auxiliares a aperfeiçoar os canais de cooperação internacional. O objetivo é reforçar o discurso de que o Brasil combate o crime organizado e está disposto a compartilhar informações e coordenar ações de segurança com outros países.
O governo federal também estuda a concessão de apoio financeiro a empresas que possam ser prejudicadas pela decisão americana. A avaliação no Planalto é de que as medidas de resposta devem ser definidas a partir desta sexta-feira, com a classificação oficialmente em vigor.
Analistas apontam que a decisão dos Estados Unidos pode resultar em sanções econômicas e afetar o intercâmbio de informações entre os dois países. Pessoas próximas ao presidente, no entanto, descartam neste momento a possibilidade de operações militares americanas em território brasileiro.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida unilateral dos Estados Unidos pode atingir bancos, fintechs e até a infraestrutura do Pix. O governo Trump sustenta que PCC e Comando Vermelho já possuem atuação em 12 estados americanos.
Na semana passada, Lula criticou a classificação das facções como organizações terroristas e defendeu a soberania nacional. O presidente afirmou que PCC e Comando Vermelho devem ser combatidos pelas autoridades brasileiras e rejeitou qualquer tentativa de interferência externa.
Em nota divulgada após a decisão de Washington, o Palácio do Planalto afirmou que o Brasil é uma nação soberana e mantém um combate permanente às facções criminosas. O texto destaca que o crime organizado atua com fins lucrativos e não pode ser confundido com o terrorismo internacional.
O governo brasileiro também afirmou que a decisão americana foi motivada por manipulação política e classificou como “deplorável” a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para defender uma intervenção estrangeira. A nota conclui que a soberania nacional é “inegociável” e rejeita qualquer interferência externa nos assuntos internos do país.


