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Notícias | Brasil
14.04.2018 - 16h44 | rt
Ato pró-Lula chega a uma semana com chuva, ordem de multa e sem previsão de fim
 
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Uma semana após a prisão do ex-presidente Lula, o acampamento favorável ao petista segue de pé nos arredores da sede da Polícia Federal, em Curitiba. Após sete dias, os manifestantes não dão sinal de que devem deixar o local, mesmo após a chegada da chuva e diante de uma decisão judicial de multar os movimentos que permanecerem no lugar.

Na sexta-feira (13), o juiz substituto da 3.ª Vara da Fazenda Pública, Jailton Juan Carlos Tontini, assinou despacho em que determina multa de R$ 500 mil para os movimentos que não deixarem as redondezas do prédio público. Dos cinco réus citados, três são pró-Lula: a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Partido dos Trabalhadores (PT/PR) e o Movimento UFPR Livre. 

Somados, os grupos podem ter que pagar R$ 1,5 milhão por dia, caso descumpram a ordem. Representantes do acampamento ainda não se manifestaram sobre a decisão, sob o argumento de que não foram notificados oficialmente. A decisão judicial que proíbe a formação de acampamentos na cidade sem prévia autorização da prefeitura foi emitida no último dia 6, antes mesmo da prisão de Lula. Outros dois grupos contrários ao ex-presidente, o Movimento Curitiba Contra Corrupção e o Movimento Brasil Livre (MBL) também estão proibidos de acampar.

Chuva e frio

A chegada do frio incomodou os manifestantes, principalmente os que dormem no local. Muitos passaram a noite nos ônibus que trouxeram as caravanas para Curitiba. A temperatura mínima prevista para Curitiba, neste sábado (14), é de 15ºC.  A dona de um brechó no Santa Cândida montou uma barraca no local onde vende agasalhos a partir de R$ 5. As jaquetas, que ela vende por até R$ 100, agradaram especialmente o público masculino, que não veio preparado para o frio.

Há um temor entre os manifestantes de que a chuva espante os apoiadores curitibanos do ex-presidente. Para quem vem de fora há uma expectativa na “troca de turnos”, já que as caravanas se revezam para manter o acampamento sempre do mesmo tamanho, com cerca de 500 pessoas.

Muitas das delegações que chegaram a Curitiba na última quarta (11) e quinta-feira (12) devem ir embora neste sábado (14). Ao mesmo tempo, outros ônibus estão a caminho de Curitiba, segundo relato dos manifestantes. Há pessoas de diversas partes do Brasil. Membros da caravana relataram à reportagem que se organizam para fazer novas trocas nos próximos dias 17, 21 e 24. E assim sucessivamente, caso seja necessário. Entre as pessoas que vão embora neste sábado (14) há quem tenha planos de voltar.

Até o fim

O clima é de que o acampamento será mantido de forma permanente, até a soltura do ex-presidente. As barracas (algumas de acampamento, outras tendas de lona) foram montadas na calçada do bairro Santa Cândida, nos arredores da Polícia Federal. Muitas delas em frente a imóveis residenciais. Há bloqueios na região realizados pela Polícia Militar, que solicita identificação às pessoas que cruzam o perímetro.

Muitos manifestantes têm esperança de ir embora caso haja uma soltura de Lula na próxima quarta-feira (18), quando o TRF-4 julga o último recurso da defesa de Lula em segunda instância. O tribunal, no entanto, costuma rejeitar os chamados embargos dos embargos, por considerar que é uma medida meramente protelatória.

Há um fórum permanente entre membros do acampamento e a Polícia Militar (PM-PR), que quer negociar a retirada dos manifestantes sem o uso de força. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), em nota, e por representantes da organização do acampamento à reportagem. 

Conflitos e atividades culturais

A primeira semana do acampamento pró-Lula foi marcada por atividades políticas e culturais (há um ato de "bom dia" para Lula todos as manhãs, às 10h), além de alguns conflitos. Na tarde de sexta-feira (13), por exemplo, um caminhão de som com uma faixa do "Acampamento Lava Jato" passou pela região hostilizando os manifestantes, que reagiram lançando abacates na direção do automóvel. 

Há desgaste também com os moradores da região. Há reclamações sobre o barulho, sujeira (principalmente na região onde estão instalados os banheiros químicos) e a impossibilidade de ir e vir, já que muitas barracas estão montadas em frente às casas das pessoas. A reportagem da Gazeta do Povo também encontrou moradores favoráveis à manifestação, ao longo da semana. 

Famosos como Criolo e Bela Gil compareceram ao local. Os músicos curitibanos Estrela Leminski e Teo Ruiz fazem uma visita neste sábado. Há também a previsão de um ato político com o ex-governador do Rio Grande do Sul Olivio Dutra (PT), a poeta Alice Ruiz e a senadora Gleisi Hoffmann (PT).

 

 
 
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