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Notícias | Mundo
09.06.2017 - 09h49 | R7
Fim da Otan pode estar mais próximo com diferenças entre Estados Unidos e Europa
 
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Berlim havia sido invadida, a Alemanha rendida e fragmentada, a fumaça das bombas da Segunda Guerra ainda pairava na atmosfera, mantendo o clima de medo e insegurança diante do futuro. Como impedir que nova catástrofe ocorresse?

Após o fim da guerra, União Soviética e Estados Unidos (acompanhado dos europeus do Ocidente), antes aliados, iniciaram um novo jogo de ameaças em torno da luta pelo poder: a Guerra Fria. Em busca de proteção, em 1949, os americanos e europeus capitalistas encabeçaram uma aliança intergovernamental, baseada em um sistema de defesa em comum de contenção dos soviéticos: criou-se assim, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em Bruxelas.

Agora, em uma Europa imersa na questão da imigração, da crise e da própria identidade, a roda da história está aparentando dar outra volta. Um novo ciclo pode estar começando a emergir. Com a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, uma postura mais dura em relação ao bloco militar, com cobranças por maior divisão de tarefas e menos dispêndio de recursos americanos, começa a provocar um movimento de independência, comandado por França e Alemanha, segundo têm constatado vários especialistas em Relações Internacionais, entre eles o professor francês Yann Duzert, da FGV.

— Os EUA estão forçando a emancipação da economia da Europa, com isso estão ajudando os europeus a ficarem unidos, fortalecendo um exército europeu. O novo governo francês já colocou como ministra da Defesa (Sylvie Goulard) uma perita em União Europeia e colocou o ministro da Defesa (Jean-Yves Le Drian) do governo anterior na pasta Europa e Negócios Estrangeiros. Tudo isso para reconstruir uma defesa europeia que pode de repente se emancipar da Otan.

Durante muito tempo a aliança conseguiu manter-se unida, iniciando operações militares em momentos críticos, como nos Balcãs, em 1995 - contra a Sérvia que lutava pelo controle da Bósnia-Herzegovina - e na Líbia, sob o regime do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

Qual objetivo da OTAN com a maior mobilização militar dos EUA na Europa desde o fim da Guerra Fria

Mas, para se contrapor à crise econômica, que ainda assola países como a Grécia, e buscar alternativas de inteligência contra o terrorismo, a intenção de França e Alemanha é ter autonomia para definir algumas estratégias militares. O coordenador do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário do Distrito Federal, Carlos Nogueira da Costa Júnior, considera a mais recente reunião do G7, no fim de maio último, uma mostra do distanciamento entre os governos dos EUA e os da França e Alemanha.

— Na última reunião entre membros da Otan, percebemos visões totalmente diferentes entre o governo de Donald Trump e duas fortes lideranças, a Angela Merkel e o Emmanuel Macron. Dois dias depois, a Merkel admitiu a distância. O momento atual é de união entre França e Alemanha para manter o processo de federação europeia em avanço.

Ameaças presentes

Costa Júnior ressalta que a Otan só permanece sustentada por causa dos atuais conflitos geopolíticos. Ele cita o que considera avanço da Rússia no Leste, a ascensão econômica da China e os programas nucleares da Coreia do Norte e do Irã como fatores que ainda tornam o bloco necessário, inclusive para os Estados Unidos.

— Enquanto essas ameaças estiverem presentes, a tendência é de que a Otan não se esfacele, porque a segurança destes países, especialmente os mais fracos, depende muito do diálogo entre EUA, Inglaterra, Alemanha e França. Mas, para o futuro, uma ação coordenada da Otan tende a ser cada vez mais fragilizada.

Com 29 membros, a Otan passou por um desequilíbrio na distribuição de recursos dos países. Nos anos 90, a média de gastos dos países europeus era de 2,3% do PIB para a defesa. Em 2014, o percentual foi para 1,5%. Já os Estados Unidos, de acordo com números da Otan, são responsáveis por 22% do orçamento do bloco (a Alemanha vem em segundo, com 15%). Em relação à defesa propriamente dita, os gastos dos Estados Unidos cresceram 5% em sete anos, passando a representar 73% da soma de todos os membros da aliança.

 
 
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